
Conquista, consumação e abandono. O ciclo desta nova moda que alguns chamam amor. Voltou, ficou um pouco e voltou a partir. Desta vez não choro. Já esperava e sabia. Quis tudo na mesma, e não me arrependo. Os quilómetros irão atingir a unidade dos milhares, mas não são eles que nos separam, somos nós. Somos diferentes, e é isso que pontualmente nos une.
De momento já não espero nada. As esperanças morreram. Agora quero apenas concertar o que me resta e o que poderei modificar. Passou-se quase um ano, e o ritual de chorar antes de ir dormir manteve-se. A cidade era diferente e estranha. As pessoas igualmente diferentes. À noite depois das aulas mais uma caminhada até casa, sozinha. Chegada a casa, o duche habitual, onde a água era tão forte quanto as lágrimas. Ficou tudo para trás: os amores, a família, os amigos, a minha casa, a minha cama, tudo. Olho à minha volta e quase não há ar, porque não há nada. A pouco e pouco já não estou tão sozinha, mas continuo a sentir-me tão presa…
Agora, temporariamente estou onde quero. Ora feliz, ora triste, como o comum do mortal. Fecho os olhos e as imagens sucedem-se como fotografias no meu pensamento: as noites, os amigos, os dias. Os momentos mais felizes aquecem-nos o coração. Mas não quero regressar. Não quero mudar de mundo outra vez. Não quero a minha vida transportada em malas. Preciso e quero estabilidade. Preciso e quero dos que sempre tive. Não quero perder o que me resta. As perdas já excederam as expectativas e receio perder ainda mais. Quero o meu mundo de volta, somente isso, o resto virá depois.
2 comentários:
belo texto!
O "volta" chamou-me logo à atençao.. Há dias em que me sinto assim; fez-me lembrar momentos em que vou no autocarro sozinho depois da escola, o tempo mau, sempre a pensar nas coisas, andar por ai a voar...
Bju
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