quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Entranhas

Submeto-me a um ritmo de vida que jamais pensei que pudesse tolerar ou até querer. Agora não é uma questão de vontade, mas sim, de necessidade. Não posso ter tempo para reflectir. As conclusões apenas seriam dolorosas e inúteis. As horas são tão espinhosas como generosamente impetuosas. Depende dos dias e do estado de espírito. Por vezes esqueço a existência dos que ainda vivem em mim, outras vezes é manifestamente impossível negar que apesar da distância, as pessoas estão muito presentes em nós, e nos nossos dias.
Há dias, como hoje, que tudo o que resta dos que partiram, são meras recordações, e um dia iram ser quase inexistentes. Outros a sede da saudade busca coisas tão banais como uma música ouvida em comum ou uma conversa mais divertida em que outrora participámos…
Luto contra as recordações e sentimentos que ainda me enlouquecem de dor. Entrego corpo e alma em busca de paz. Esforço-me, apesar da perda, por ser feliz. Escassos segundos atinjo pontos de felicidade. Escassos segundos esqueço aquela história e aquele sorriso.
Se um dia estive entregue à espera, hoje entrego-me à luta para que tudo caia no esquecimento, e entre nas minhas entranhas mais profundas, onde nem o inconsciente tem acesso.


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