sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Perigo ou missão?

Tal como ontem disse, hoje voltei a passar pela livraria. E não sei bem se por intervenção divina ou mero acaso, lá estava o rapaz que me abordou no outro dia. Nem foi preciso ir ter com ele, voltou-se a dirigir a mim, mas desta vez perguntou se não era a rapariga do outro dia. Disse que sim. Desta vez dei-lhe uma oportunidade. Mostrei o meu melhor sorriso e apresentei-me. Não sei se fiz bem ou mal. Nos 10 minutos que conversamos, disse-me algumas coisas que me fizeram pensar. Uma delas é que as pessoas em Lisboa são frias, não têm tempo para conversar e não se importam uns com os outros. Outra das coisas é que tem uma depressão e frequenta uma psicóloga. Depois falou-me em duas amigas, por quem ele se apaixonou e não foi correspondido. Depois contou-me um sonho estranho que teve há uns anos. Por fim disse-me que ainda estava à espera da sua alma gémea, de uma princesa encantada ou de uma sereia vinda dos mares profundos. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão lógica. Não sei se este rapaz entrou na minha vida incumbindo-me da missão de o ajudar, porque julgo precisar de ajuda. Ou se é um dos perigos a que a vida me está a por à prova, podo a hipótese que os problemas que o afectam o podem tornar perigoso. Quando regressava à Universidade, pensava: eu sou uma pessoa racional, este rapaz é evidentemente perturbado e com problemas, não o posso voltar a ver, falar ou tão pouco deixar que entre na minha vida, seja em que posição for. Por outro lado, aquele que por norma me dá mais problemas, pensava: eu não posso ser mais uma das milhares de pessoas que vivem obstinadas com as suas vidas, e sem tempo ou disponibilidade para os problemas dos outros; provavelmente, uma conversa com este rapaz a mim não me atrasa a minha vida, e a ele faz-lhe bem. Fico ainda mais confusa, e sem saber o que fazer. Dei-lhe o meu email, não sei se fiz bem. Adicionei-o. No entanto continua bloqueado. Tenho medo.

2 comentários:

anjo oculto disse...

Sinceramente não sei bem que conselho te dar, se pensar de uma forma humana, talvez te diga para ajudares a dita pessoa. Por outro lado, não é propriamente normal alguém se dirigir a nós quando não nos conhece de parte alguma e começa a contar passagens da sua vida, na minha opinião, se estivesse no teu lugar, agiria com algum cuidado, pois a vida reserva muitos perigos e esse rapaz não teve propriamente uma atitude vulgar.
Faz o que achares melhor, mas como já disse anteriormente, acho que devias ter algum cuidado, pois nunca se sabe o que pode vir daí, pois uma pessoa que frequenta uma profissional de psicologia, é porque certamente tem algo que o perturba, e essas perturbações podem vir também a afectar-te, e penso que a ultima coisa que precisas é de coisas que te perturbem ainda mais.

Bjs

Kai disse...

Por um lado é estranho ele ter-te contado logo a vida toda dele. Mas o facto de, com uma depressão, ele ter falado contigo mostra algum esforço por parte dele para melhorar.

Agora, só te cabe a ti decidires se vais ser a pessoa que o vais ajudar. Tens de avaliar as tuas experiências e ver se és capaz disso, ou se te vai fazer mal pôr alguém à tua frente nesta etapa..

Boa sorte! Bju