Quando te julgas mais forte. Quanto sentes que tudo te é indiferente, incluindo a dor, recebes notícias. Percebes que afinal há sempre um vestígio de esperança. Afinal ainda sentes, e o frio não se apoderou totalmente de ti.
Procuras um refúgio, um escape, o sítio onde tudo é perfeito, e cada lágrima é um sorriso. Talvez esse sítio não exista, ou as lágrimas sejam mais fortes que os sorrisos que poderiam ser exacerbados. Por um segundo, fechas os olhos e deixas-te ir. Sentes o calor, dos lábios, do corpo, da força… mesmo assim não chega. A insatisfação continua. Sei o porquê, mas não lhe quero dar importância.
O sol reflecte-se na água, a brisa é calma mas mesmo assim revoltada. A paisagem é perfeita, o abraço também, mas ainda há lágrimas. Nada parece verdadeiramente forte capaz de acabar com elas.
Duraram até à noite, e nem o calor nocturno foi capaz de as secar. Só o cansaço conseguiu travá-las, e o medo. O medo das marcas. Observo-me, e a vermelhidão de cada lágrima estava espelhada no meu rosto. Ainda assim surgem mais lágrimas e uma efervescente sede de vingança. A esta altura o silêncio impera. Surge a conversa. Dura, cruel e afiada como uma faca acabada de comprar. No fim apenas te sentes mais leve. No fim, não quero vingança, quero apenas dormir.