quinta-feira, 31 de Julho de 2008

As partes


Converso. Questiono-me. Tento chegar a conclusões ou princípios. É inútil. A única conclusão a que chego leva-me a um princípio que não consta os meus princípios: desistir. Desistir é morrer. Desistir do que quer que seja é matar tudo o que se podia vir a tornar.
Tento acreditar que existem sentimentos, pessoas verdadeiras e uma vontade generalizada de tornar o mundo um sítio bem melhor do que é. É inútil. Na verdade o que encontro são desejos carnais, pessoas falsas, e uma indiferença perante a banalidade que caminhamos.
Uma parte de mim reflecte, e chega ao epílogo de que tudo – o meu mundo – será melhor se todos os sonhos e sentimentos forem deixados de parte. O amor não passa de uma forma de arte que estamos permanentemente em busca, sem sucesso, por isso para quê insistir? Cada vez que amamos alguém e temos algumas esperanças, é uma questão de tempo, e tudo se desvanece como se de fumo se tratasse…
A outra parte diz-me que basta acreditar numa força maior, e tudo o que mais desejamos tornar-se-á realidade. Basta acreditar que onde quer que esteja, a tal pessoa virá ao nosso encontro, e, mais uma vez, será uma questão de tempo e perceberemos que o amor existe e é só agarrá-lo.
Caminho com as duas partes de mim, embora sejam elas incompatíveis. Daí a ansiedade e escassez de calma que abundam em mim. Escasseiam as metas, os ícones, os desejos, as vontades e tudo o que requer uma busca mais profunda de sentimentos. Mesmo assim, se remexer na minha caixa Pandora, sei que apenas encontrarei raiva, frustração e desilusão, que me levará a um caminho sem saída. Tento não dar relevo, mas os últimos três anos da minha vida não são possíveis de apagar, como se de três letras mal desenhadas se tratassem, e com o simples acto de pressionar a borracha, elas desaparecessem, e eu pudesse voltar de desenha-las. Não é possível. O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás. Nada se pode apagar ou voltar a fazer. Tudo o que dei de mim foi, e nunca mais irá voltar.
Tento acreditar que o poder da atracção subsiste e que se desejar algo com muita força, isso tornar-se-á real. Contudo, por vezes tenho medo do que mais desejo.

sábado, 26 de Julho de 2008

Até à impossibilidade!

Hoje acordei, sorri, feliz. Não foi um sonho. Estiveste aqui. Poderá ser efémero, fugaz, temporário, mas quero tudo na mesma.
Hoje o meu olhar tem brilho, o meu corpo energia, e mesmo sem certezas vou andando, não quero cair, mas se tiver de ser, pelo menos hoje brilharei até conseguir.A tua loucura faz-me bem, e é tudo o que quero sentir. Ficarei sozinha, sei disso, mas enquanto te poder ter, quero até ao fim. Até os milhares de quilómetros nos separarem, até a impossibilidade ser mais forte…

segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Balanço Geral - últimos 3 meses



Sector sentimental: acabei uma relação de dois anos e meio. Conheci outra pessoa, que por momentos pensei ser aquela. Evidentemente que estava enganada. Evidentemente que tudo não passou de um grande engano, que me veio a afectar em todos os sectores da minha vida, deixando tudo muito pior do que quando entrou na minha vida - ainda me ando a recuperar.
Confirma-se ainda a teoria que os homens em geral não são de se fiar. Quantos mais homens conheço, mais gosto de mulheres.


Sector académico:
Assisti a 98% das aulas teóricas e práticas, apenas de corpo presente. Em seis cadeiras que tinha para fazer, apenas fiz três. As outras três, ando aos avessos para as fazer, já vou a caminho da época de recurso e não tenho grandes esperanças. Motivo: falta de vontade de estudar - ver sector anterior. Eu bem tive uma professora que me disse para só me lembrar que os homens existiam no fim de acabar o curso. Não lhe dei ouvidos...


Sector da saúde:
emagreci dois quilos numa primeira fase, aquando da primeira relação acabada. Depois, bem ao estilo de Bridget Jones, à falta de outra solução, dediquei-me aos chocolates, bolachas, gelados e a tudo o que tem para cima de 200 calorias - ainda não sei quantos quilos engordei - para cima de 5, certamente. A nível psicológico o desequilíbrio é constante, com mudanças de humor oscilando entre a euforia e o deprimido, seguido de fases de apatia total. Motivo: ver sector sentimental.


Conclusão:
Se querem ter uma vida calma, sem desilusões, dramas ou problemas: erradiquem os homens das vossas vidas. Para os homens, que certamente também passam por coisas assim, erradiquem as mulheres das vossas vidas.
Os quilos perdidos com o fim das relações são bem menos que os ganhos com as novas desilusões, por isso o truque é acabar e não querer mais nenhum exemplar daquele sexo.

Mais um conselho: a felicidade efémera da conquista e do consumo não compensa a sensação do posterior abandono.


quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Dolce ne faire niente!


Será que com exame de Direito amanhã, dá para ficar assim, sem fazer absolutamente nada?! É que não apetece outra coisa senão o meu dolce ne faire niente...

sábado, 5 de Julho de 2008

O riso de Deus

"A letra de Deus nem sempre é decifrável e ninguém conhece a língua em que escreveu a alma humana. Às vezes, a gente julga que as palavras chegam para esclarecer a vida mas, hoje, estou certo de que muitas coisas permanecem por detrás de palavras que ainda não foram feitas e outras, por detrás de palavras de que perdemos o uso.
Quando penso na minha vida e nas circunstâncias atribuladas do tempo que me foi dado viver, pressinto o que será a incomodidade dum bêbado no dia seguinte ao da sua bebedeira, porque nos encharcámos de razão e esperança terrena e tudo ficou aquém de todas as promessas: tudo mais pequenino e mais cruel. Pior: é uma sensação misturada da ressaca do bêbado com uma certa forma de orfandade: um desamparo perante a perda da herança prometida no texto fundador que fixou o projecto da nossa condição, como se, ao decretar-se a morte de Deus, ele tivesse levado consigo todos os seus bens. É isso que me leva a olhar para tudo o que vivi como se fosse um ensaio falhado duma harmonia possível.
Tudo me leva a crer que as marcações que nos deram para o desempenho da vida passam ao lado do caminho por onde os nossos afectos poderiam fluir conforme o que está escrito no mapa oculto do ser humano. Pressinto que continuamos fora do essencial e que as razões das circunstâncias – que, muitas vezes, são poderosas e reais – só servem para nos afastar dos enigmas que estão à frente das coisas e que nos caberia decifrar. Porque, algumas vezes, até parece que a simplicidade emana do andamento da vida e que bastaria um pequeno gesto de espírito para passarmos para o lado de lá de tantas incomodidades que nos fazem viver como se tivéssemos calçado dois números a baixo da forma da alma.

(…) Talvez desde o primeiro dia estejamos condenados a perder a mulher que amamos. Possivelmente, o amor continua a chamar-nos do centro do labirinto e nós andamos às voltas sem sermos capazes de o encontrar. Porque o labirinto não é um jogo: é a defesa mágica dum centro, duma significação, e talvez seja necessário despojarmo-nos de muitas coisas e tornar a vestir as vestes da inocência para que o amor nos possa ser revelado. É à volta do amor que as grandes literaturas têm dado o seu melhor mas não estou a escrever isto para ver se entro, ainda que humildemente, nessa plêiade tão gloriosa. Não é nada disso. Acontece é que em certos momentos sinto que uma indomável força me obriga a tentar descobrir o que não sei ainda o que é: qualquer coisa que fica entre a procura do mapa do tesouro e a receita do filtro que nos livrará da morte. Estou certo de que os indícios andam dispersos pelo mundo, mas, ao mesmo tempo, desconfio que esses segredos são capazes de estar escondidos debaixo de uma pedra do nosso jardim, ali mesmo, ao alcance da nossa mão. É ainda essa irresistível procura que me tem levado, às vezes sem eu saber, para os braços duma mulher. (…)"

O RISO DE DEUS
António Alçada Baptista

quinta-feira, 3 de Julho de 2008

Pensamento do dia!



Os homens são como os cães. Quanto mais trela se lhe dá, mais longe eles vão!