
Converso. Questiono-me. Tento chegar a conclusões ou princípios. É inútil. A única conclusão a que chego leva-me a um princípio que não consta os meus princípios: desistir. Desistir é morrer. Desistir do que quer que seja é matar tudo o que se podia vir a tornar.
Tento acreditar que existem sentimentos, pessoas verdadeiras e uma vontade generalizada de tornar o mundo um sítio bem melhor do que é. É inútil. Na verdade o que encontro são desejos carnais, pessoas falsas, e uma indiferença perante a banalidade que caminhamos.
Uma parte de mim reflecte, e chega ao epílogo de que tudo – o meu mundo – será melhor se todos os sonhos e sentimentos forem deixados de parte. O amor não passa de uma forma de arte que estamos permanentemente em busca, sem sucesso, por isso para quê insistir? Cada vez que amamos alguém e temos algumas esperanças, é uma questão de tempo, e tudo se desvanece como se de fumo se tratasse…
A outra parte diz-me que basta acreditar numa força maior, e tudo o que mais desejamos tornar-se-á realidade. Basta acreditar que onde quer que esteja, a tal pessoa virá ao nosso encontro, e, mais uma vez, será uma questão de tempo e perceberemos que o amor existe e é só agarrá-lo.
Caminho com as duas partes de mim, embora sejam elas incompatíveis. Daí a ansiedade e escassez de calma que abundam em mim. Escasseiam as metas, os ícones, os desejos, as vontades e tudo o que requer uma busca mais profunda de sentimentos. Mesmo assim, se remexer na minha caixa Pandora, sei que apenas encontrarei raiva, frustração e desilusão, que me levará a um caminho sem saída. Tento não dar relevo, mas os últimos três anos da minha vida não são possíveis de apagar, como se de três letras mal desenhadas se tratassem, e com o simples acto de pressionar a borracha, elas desaparecessem, e eu pudesse voltar de desenha-las. Não é possível. O tempo é um carro novo sem a marcha-atrás. Nada se pode apagar ou voltar a fazer. Tudo o que dei de mim foi, e nunca mais irá voltar.
Tento acreditar que o poder da atracção subsiste e que se desejar algo com muita força, isso tornar-se-á real. Contudo, por vezes tenho medo do que mais desejo.




