
Nego que ainda gosto de ti, e que cada centímetro da minha pele te deseja, outra vez. Nego que esteja à tua espera, mas cada dia que passa é mais um dia que risco dos da minha longa espera. Nego que tenha saudades do teu desprezo, e é verdade, as saudades são mais evidentes dos momentos em que a tua exclusividade me pertencia. Nego que as minhas mudanças sejam motivadas por ti, mas há quem não se deixe levar pelas minhas explicações de negação. Nego que ainda penso em ti todos os dias, mas a consciência é difícil de travar, e a contabilização das vezes demasiado numerosa para passar despercebida.Depois de tantos meses, julgava-me capaz de ser indiferente à tua indiferença, mas não sou. Sou egoísta. Cada demonstração de felicidade e de retoma à tua vida, onde eu não consto, é mais uma lágrima na minha cara. Refugio-me no que é importante, e até com sucesso. Lá dentro as bóias estão cada vez mais afundadas em si mesmas, sem esperanças de vir à tona.No meu caminho vou olhando para as hipóteses que existem, mas mesmo essas são tão difíceis como tu. Sou aquela peça, da montra, mas que ninguém repara. Na tentativa de ir contigo até promoções fiz, mas nem assim compraste. Acharás tu, que é demasiado barata, e por isso dúvidas da qualidade? Passará o segredo por elevar o preço tão algo, quase impossível de pagar? E se pusesse na etiqueta ‘oferta’? Levarias?