sábado, 6 de Dezembro de 2008

Aparentemente

Posso escolher quase tudo na minha vida. Quase tudo porque não é tudo. Quase tudo porque há coisas que não dependem das nossas escolhas. Quase tudo porque há coisas que fogem do nosso alcance e vontade.
A minha vida vai andando, e eu sinto-me numa daquelas descidas acentuadas, em que quero parar a cada instante mas não me é permitido por força da gravidade, e por força da vida. Queria parar para arrumar cada assunto, cada problema, cada pessoa, no seu devido lugar. Queria reflectir e perceber porque umas vão, outras ficam, umas amamos outras apenas gostamos…
Ultrapassar cada pesadelo parece uma tarefa cada vez mais complexa. Ainda há noites que acordo e penso porque percorro determinados caminhos e não outros. Há manhãs que acordo sem sentir: abro os olhos e caiem-me lágrimas que fisicamente não existem. Cada sequência de batidas no meu coração transforma-se numa sequência de imagens que, ou queria muito que fossem a realidade, ou queria que não existissem. Aparentemente estou bem, aparentemente não tenho problemas e tenho tudo o que pretendo.
Sinto-me tão transparente e ao mesmo tempo tão manifestamente vazia. Pergunto-me porque é assim. Pergunto-me porque tenho uma sensação eminente de frustração e perda.