Há mais de um mês que não escrevo. Não sei se por medo de enfrentar a verdade que a todos escondo, excepto à escrita, ou para não registar todos os turbilhões de emoções que pairam pelos ares que me rodeiam.
Os dias sucedem-se e nada se altera, excepto o que poderia alterar, excepto o que pode vir a transformar a minha vida num inferno. Tendo consciência do que vivo, tendo consciência do que sinto, mantenho círculos na minha por puro comodismo e fraqueza. Por medo do escuro, por medo do vazio. Não sei até quando este medo pode salvar todas as diferenças entre sentimentos cristalinos e sentimentos imorais. Depois de vermos o brilho dum sentimento puro, qualquer sentimento menos autêntico sabe a pouco. Quando sabemos que já pudemos contemplar o prazer sob as nuvens, qualquer toque sob as mesmas é pouco e sabe a nada.
Há dias que acordo disposta a mudar o que existe na minha vida, apenas para preencher espaços vazios. Esforço-me por apagar o que sei que nunca escreverá longas páginas no meu livro, mas quando estou prestes a arrancar as folhas, surge o tal medo do escuro. Sei que um dia prometi que jamais entregar-me-ia por mero acaso e que hoje os meus escrúpulos me atormentam a cada dia que passa, só que por vezes a nossa existência ganha contornos que vão fugindo das nossas mãos e rendemo-nos às forças das circunstâncias.
2 comentários:
Enquanto continuares com o medo, a mudança que queres não deve acontecer... Acontece que se até aqui não ter enfrentado o medo não tem ajudado em nada, o que pode piorar se enfrentares o medo?
Pior que o medo, é não saberes o que está do outro lado, com ou sem escrúpulos..
Bju
Penso que esse medo que te consome, não te deixa desfrutar de tudo o que a vida tem para te oferecer. Nao deves ter medo de nada e enfrentar td com o optimismo que eu sei que tens dentro de ti. Vive a vida e aprende com os erros, mas nunca tenhas medo de errar.
Beijo!
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